TORCIDA ORGANIZADA - UM BEM OU UM MAL?
Difícil responder a essa
pergunta, se for para fazer de maneira equilibrada e racional.
Sem ser passional, ao dar vazão a
sentimento positivo ou negativo, motivado por notícia envolvendo essas
entidades que tem enorme peso no contexto geral do nosso futebol.
De acordo com a situação da para
ficar contra ou a favor. Assim não vale.
Por duas vezes e por pura
coincidência, assisti a um jogo do meu time, ao lado da maior torcida
organizada.
Para formar opinião a respeito
deste assunto, tenho visto e ouvido argumentos, contra e a favor das
organizadas, de pessoas da imprensa esportiva que respeito.
Como são pessoas preparadas,
independente de serem contra ou a favor são muito convincentes nas suas
argumentações. Eu continuo sem muita convicção.
Se não dá para ser conclusivo
neste assunto, esse é o meu caso, é importante acompanhar e fazer o debate.
Fato inusitado aconteceu no final
de semana no Rio de Janeiro, em que a polícia prendeu e a justiça encaminhou ao
presídio, numero próximo de uma centena de torcedores organizados de Fluminense
e Vasco, brigões, entre eles gente com passagem pela polícia, alguns menores,
devidamente encaminhados a quem de direito.
Inusitada, a detenção, porque o
comum era serem liberados logo após a passagem pela delegacia. Não sei qual a
lógica e porque nada acontecia.
É inegável que o futebol ficaria
muito chato sem a manifestação dos torcedores organizados com seus cantos e
batucadas entoados durante os noventa minutos. Sem parar. A bandeira que sobe.
Que folego!
Aquilo contagia, cantei com eles
as musicas de incentivo e o hino do meu time. É de arrepiar.
É uma pena que entre tantos, haja
delinquentes, arruaceiros, pessoas violentas e que destilam ódio pelo
semelhante tendo como pretexto a cor da camisa e um escudo. Uma insanidade,
pura estupidez humana.
Como estupidez vivenciamos no dia
a dia no transito, no trabalho, na escola, onde tiver mais de um ser humano
reunido para qualquer finalidade.
Quanto maior a ignorância, mais e
maiores serão as manifestações de intolerância.
São fenômenos antropológicos,
sociológicos e ideológicos, que não cabe aprofundar, primeiro porque não tenho
preparo para tal, segundo, este espaço não é apropriado.
Também não significa que o tema
não deva ser debatido no foro apropriado e medidas urgentes não devam ser
tomadas para que o cidadão possa viver melhor, numa sociedade mais justa, sem
violência, sem manifestações de intolerância social, racial, religiosa ou de
qualquer espécie.
Fico imaginando que não da para
colocar na conta desses fenômenos, nem teorizar justificativas, é preciso agir
para separar os maus elementos que contaminam essas instituições, eliminando-os
do convívio social.
Criminalizar e proibir as
organizadas, é como matar o boi para eliminar o carrapato, não faz sentido.
Pela ação da polícia e da justiça do Rio de
Janeiro em relação ao episódio de torcedores de Vasco e Fluminense (que não
seja fogo de palha), como pelos exemplos na Europa, mais acentuadamente os ingleses
com suas medidas firmes de identificação e punição severa de baderneiros
travestidos de torcedores, é possível, se não eliminar a violência no seio do
futebol, pelo menos diminuí-la.
O mal da violência no futebol
como de resto em toda a sociedade tem a mesma origem, a certeza da impunidade
aliada à mudança de valores, como por exemplo, a banalização da vida e a falta
de vontade política de quem tem a responsabilidade de agir e não o faz, porque
algum benefício tem, sejam cartolas ou outros envolvidos.
Claro que é uma obviedade essa
afirmação, mas, que precisa ser repetida até que incomode a todos que tem
responsabilidade, sejam cartolas coniventes, governos ineficientes, ou
empresários predadores do futebol, esse novo negócio que movimenta bilhões.
Nós simples mortais apaixonados
por esse esporte também temos responsabilidade, provocar a discussão onde
estiver, criar clima favorável de pressão pelas mudanças.
Ou quem sabe, escolher outro
esporte para torcer. Absurdo, impensável.
