Neste ano de 2013 que ficou para traz, como tantos outros,
tivemos fatos positivos e negativos em todos os setores da nossa vida, mas, o
assunto aqui é esporte, é futebol.
Posso falar com propriedade daquilo que participei
ativamente e posso dizer que fui feliz em meu ano esportivo e quero fazer
registro de dois momentos.
Participei da organização de dois eventos, cujo sucesso deve
firmar ambos no calendário do futebol de Tatuí, a COPA DOS BOLEIROS, em
fevereiro, no Menote de Campos do Santa Cruz Futebol Clube e a COPA SENIOR DE
FUTEBOL DO CLUBE DE CAMPO, no Itatibão, que fechou o ano agora em dezembro.
Não vai aqui nenhuma intenção de vangloriar, até porque
entre os meus muitos defeitos não esta a vaidade exacerbada, comum entre muitas
pessoas.
A ideia é fazer uma analise de um fenômeno que não da para
dizer que é raro, mas também, que não da para ser desconsiderado, nem aceito,
que é a violência no futebol.
Algo irracional,
estúpido, que nada constrói, porque afasta as pessoas de bem, que gostam do
esporte e que gostariam de participar como apreciador, como torcedor.
Por essa razão lembro o BOLEIROS e a COPA SENIOR. O Boleiros
com duas categorias, sub 15 e outra acima de 40 anos, a Copa, com outras duas
categorias, uma acima de 40 e outra acima de 55 anos. Esta, solicitada há muito
por quem quer se manter em atividade pelo prazer e pela saúde.
Considerando o aspecto da competição e aí ninguém quer
perder, o grande ganho de todos indistintamente foi sem dúvida o espírito de fraternidade,
o desejado fair play, entre os envolvidos, organizadores, competidores sejam
atletas, ou dirigentes. Como diz aquela propaganda de cartão de crédito, tem
coisas que não tem preço.
Duas competições de futebol, envolvendo meninos,
adolescentes, e homens maduros, as duas com o melhor resultado aguardado,
dentro e fora das quatro linhas, ou seja, respeito, amizade fraternal,
crescimento esportivo, educação, disciplina.
Então, vem o questionamento: porque o campeonato amador de
Tatuí acabou e ninguém se anima em promover, ou participar?
Deve haver mais de um motivo, mas, afirmo que um, não sei se
o principal, é o nível de violência e de barbárie que temos visto, quando se
trata da principal categoria do futebol, pelo menos, na nossa realidade que é o
esporte amador, a categoria livre ou adulta, como preferirem chamar.
Lembrei um fato, que já pertence ao folclore da política do
nosso país, que narra a exclamação de alguém do governo brasileiro preocupado
com a nossa agricultura, afetada pela ação de formigas saúvas que decretou; ou
o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil.
Parafraseando o político em questão afirmo; ou acabamos com
a violência no futebol, ou a violência acabará com o futebol, ou com o que
restou dele.
Considero terrível e inaceitável essa possibilidade de sermos
privados do nosso esporte favorito e manifesto meu entendimento sobre a
violência no futebol e uma das maneiras como pode ser tratada.
Se bem observarmos vamos verificar que os promotores da desordem
nos jogos são uns poucos desajustados que por sua vez são vítimas da própria
ignorância e que nos fazem vítimas dela também, isso em qualquer plano, seja
nos melhores estádios do país, seja aqui nos nossos campos.
Acontece que essa
minoria espalha o terror entre aqueles que não percebendo nenhuma ação em
contrario, se afastam dos campos, condenando o próprio futebol a morrer
lentamente, uma vez que sem público não há porque haver espetáculo.
É necessária uma tomada de posição, e não quero aqui apontar
responsáveis, todos nós somos, assim como somos capazes de reverter essa
situação insustentável.
Conhecemos os fatos, conhecemos as entidades esportivas,
conhecemos os intolerantes que não sabem viver em sociedade, se portar de
maneira civilizada, aqueles que confundem e transformam as disputas esportivas
em guerra, onde extravasam suas frustrações.
Como? Cada um fazendo a sua parte.
Dirigentes de clubes sendo coerentes, éticos, zelando pela
sua instituição, impondo como filosofia a disputa esportiva onde não valha
vencer a qualquer custo, deixando de proteger ou acomodar no seu meio os
encrenqueiros, antes, enquadrando ou mesmo eliminando essa gente do campo e das
arquibancadas.
Difícil? Não acho. Trabalhoso? Sim, mas, necessário.
Uma nova mentalidade, pacifista, inteligente, precisa se
sobrepor a insanidade de uma minoria, como temos visto e lamentado. Como?
As autoridades esportivas e os organizadores de eventos
sendo criteriosos na escolha das instituições esportivas convidadas para as
competições, procurando o limite entre ser abrangente ou conivente, responsável pela permissividade que
tem gerado tanto dissabor.
A imprensa com seu poder de informar e formar opinião, divulgar
a busca pela qualidade nas relações que pretendem fazer o futebol de Tatuí,
melhor do que esta hoje.
Os atletas que busquem não só o aperfeiçoamento técnico,
mas, principalmente o intelectual, que dará a eles, a dimensão exata dos
limites da competição e o reconhecimento e respeito que não terão de outra forma, no
esporte e na vida.
Você que é torcedor, cidadão, conhecedor dos limites da
esportividade, mas, distantes dos campos, de ao seu time e ao futebol uma
chance, volte, insista, resista.
Agora, se você vê nas cores do time adversário uma motivação
para uma declaração de guerra e vê o torcedor adversário como um inimigo a ser
combatido, então, se afaste, procure um profissional de saúde e só volte ao
campo quando estiver curado, o futebol de Tatuí lhe será eternamente grato.
Para concluir, não imaginem que há neste texto alguma
pretensão maior do que levantar uma discussão acerca de um bem, de que
precisamos cuidar, o futebol nosso de cada dia, e um mal, que queremos
eliminar, a violência, com a qual passamos a conviver, ha muito, no nosso dia a
dia, nos ameaçando e a tudo quanto mais amamos, incluindo aí o futebol.
Desculpem, mas, não ficarei aguardando a réplica, vou fazer
a minha parte.
JOSÉ NORBAL DE MORAES MARQUES – É professor de história e
apaixonado por esporte.