É HORA DE MANTER A CABEÇA FRIA
A Copa do Mundo do Brasil teve um roteiro
inesperado
Com
a campanha negativa imposta pela grande mídia nacional contra o país, por
razões que não cabe discutir neste espaço, mas, fica a observação, porque não
somos tão idiotas como imaginam certas publicações e um certo tipo de
jornalista. Esperava se o fracasso fora de campo e a conquista do hexa. Acabou
que houve uma inversão nas expectativas do torcedor brasileiro. Tragédia no
desempenho e no resultado dentro das quatro linhas. Sucesso de organização.
Tem
início uma nova fase, a das análises dos acontecimentos e as mais diversas
teorias, umas mais racionais, outras menos, considerando, que trata se de uma
paixão nacional , o futebol nosso de cada dia.
Neste
momento em que as feridas estão abertas e doloridas, passionais que somos por
conta de nosso temperamento latino, vamos buscar alguém para ser crucificado,
que possa nos redimir desse sofrimento. É o perigo da injustiça de elegermos um
novo Barbosa para condenarmos a pena perpétua.
Na
busca de uma explicação razoável, os próprios protagonistas do vexame, atônitos,
acabam alimentando todo o tipo especulação com suas declarações. Uma delas me
chamou a atenção.
Alguém
falou que estamos numa entressafra, que faltam bons jogadores. Com isso não
posso concordar, senão vejamos, a começar pelos goleiros, temos entre cinco e
oito goleiros jogando no Brasil e no exterior em condição de defender a seleção
e o Julio Cesar, titular, esteve nas três ultimas copas do mundo e não comprometeu
em nenhum dos gols sofridos pela seleção agora em 2014.
Daniel
Alves, que perdeu a titularidade na lateral direita para Maicon (grande
temporada europeia com o Roma), ganhou tudo com o Barcelona de Pep Guardiola.
Tiago
Silva e Davi Luís formam a dupla de área mais cara do mundo, respeitável.
Marcelo acabou de ser campeão europeu com o Real Madri, Luiz Gustavo joga na
liga dos tetra campeões do mundo, os alemães, Fernandinho é campeão inglês pelo
City, Oscar é referência no badalado e fortíssimo Chelsea de Mourinho, Hulk por
mais contestado que seja, é dos mais prestigiados e ídolo na Russia e o Neymar
dispensa comentários.
Mesmo o Fred, que poderia ter dado lugar para
outro esquema de jogo, porque não temos outro jogador para fazer melhor a
função que ele deveria fazer, de centro avante de referencia, deve ser
responsabilizado na medida certa. Não podem esses profissionais carregar toda a
culpa pelo que aconteceu.
É
preciso aprender com o que foi ruim, senão, de nada valeu o sofrimento e
assinaremos o atestado de burrice perdendo a oportunidade, a questão esta posta
para discussão e ação para as mudanças necessárias e é muito mais profunda, é
de conceito, de filosofia.
Não
da para esperar uma revolução com os dirigentes que temos hoje nas federações e
nos clubes que sustentam esta estrutura arcaica ha décadas, que não é assim por
acaso, porque essa gente tomou para si e trata como fosse de sua propriedade
esse lucrativo patrimônio cultural do povo brasileiro chamado futebol.
Sabendo
que haverá dessa gente uma reação muito forte a qualquer mudança que lhes tire
da boca a teta em que pretendem continuar mamando, a comunidade esportiva
precisa avançar no sentido de proteger e desenvolver o nosso futebol.
Não podemos deixar passar o efeito que o
resultado da copa, dentro de campo provocou em todos nós, com a consciência de
que toda discussão e ação deverá acontecer apesar de Marin, Marco Polo Del
Nero, bancada da bola e outros obstáculos, parte de um entulho da qual a
sociedade brasileira ainda não conseguiu se livrar.
